ENTRE A CRUZ E A LOJA!  (A SAGA DO VIGÁRIO BARTOLOMEU)

 

por Carlos Alberto Carvalho Pires

 

“Há instantes em que os homens são senhores de seu destino.” W. Shakespeare.

 

O devotado padre católico chamado Bartolomeu da Rocha Fagundes, nosso querido e inesquecível Irmão, sacrificou sua carreira eclesiástica por ser rigorosamente fiel ao juramento sagrado prestado durante a Iniciação. Sua lealdade e retidão estavam acima de qualquer interesse profano, mesmo quando sua vocação de sacerdote ficou sob risco de extinção, por determinação de seus superiores. Todo este drama, que se iniciou formalmente em meados do século XVIII, converteu-se em um assunto polêmico, intrincado e, infelizmente, muito mal compreendido, até os dias atuais. Trata-se, certamente, de uma  rara demonstração de inequívoco amor à Maçonaria, e do mais profundo respeito aos nossos sagrados princípios.

O episódio vivenciado pelo Vigário Bartolomeu, ocorrido durante a chamada “Questão Religiosa” (1.872 a 1.875) – uma das poderosas circunstâncias que abalaram as colunas do Império – nos mostra um legítimo exemplo de grande Maçom. Fazendo honrar sua palavra mesmo nas piores adversidades, sua postura, na opinião de muitos, comprova indubitavelmente que existe total compatibilidade entre o papel oficial de religioso e de maçom regular, considerando o aspecto ético e filosófico da situação.  Para outros, trata-se de um insubordinado que abandonou a fé e o Vaticano.

A lembrança de sua vida e a bravura de suas atitudes nos auxiliará, como um maravilhoso legado histórico, a entender e desmistificar um dos grandes tabus que assola as almas de muitos fiéis: é possível um religioso, ou mesmo um fiel, integrar o quadro de obreiros regulares de nossa Fraternidade?

 

1- O CONCEITO DE RELIGIÃO           

 

            Religião é um termo derivado do latim religio, que significa na tradição antiga algo como manifestar um comportamento rígido, formal e pautado pela precisão. Assim era o seu sentido no mundo pré-cristão, notadamente na Grécia e em Roma.

Em 45 d.C., na obra De Natura Deorum, Cícero considerava o termo religião uma alusão ao ato de reler ou estudar de novo alguma coisa. Explicava, então, que os religiosos eram aqueles que pretendiam uma releitura das escrituras e dos ensinamentos primordiais que trariam luz sobre os fenômenos inexplicáveis.

Agostinho de Hipona, que viveu no século IV d.C. dizia que a religião seria a vontade de todos de reeleger a Divindade como centro do universo, uma vez que a humanidade se desligou de Deus. No livro A Cidade de Deus considera a palavra religere como sendo a raiz etimológica de religião.

Nos anos 400 d.C. Macróbio afirmava que religio seria uma forma de se cultuar as relíquias do passado, ou relinquere.

No Hinduísmo não se utiliza o termo religião. Seus sacerdotes, na Antigüidade, usavam a palavra rita. Depois passaram a expressar a idéia de lei divina e perene como Dharma, denominação também comum no Budismo, criado em 500 a.C.

Acredita-se, atualmente, que o vocábulo deriva de duas origens distintas. Relegere se refere à idéia de reler ou revisar os conceitos, tradições, ritos, e princípios antigos adaptando-os às novas eras e necessidades. E Religare seria a vontade de religar algo ou alguém a outros, ou de reunir as pessoas à Divindade.

A partir da hegemonia tradição Judaico-Cristã no ocidente, religião passou a ser considerada como o conjunto de crenças, rituais, princípios e práticas diversas que buscam exatamente o contato da humanidade com Jeovah-Deus, que habitaria o mundo sobrenatural ou intangível. Esta interação seria possível através da chamada revelação ou transcendência, que todos os adeptos consideram como realidades concretas.

Adentrando a esfera dos estudos da psique humana, chegamos a uma ponderação interessante. Religião seria uma das maneiras de se tentar explicar todos os mistérios que cercam nossa existência, ou seja, tudo aquilo que a nós é incompreensível. Esta bagagem, que foge à razão esclarecida ou à compreensão lógica da mente humana, pertence ao campo do Sublime – como o funcionamento do universo, a origem e sentido da vida, o que ocorre depois da morte, e tantos outros fenômenos que angustiam nossa alma desde o princípio dos tempos. Para explicar esta zona de incertezas, criaram-se os sistemas religiosos primordiais, que utilizam uma variada gama de conceitos dogmáticos baseados apenas na fé. Tais mecanismos impõem uma normatização destas possibilidades, regrando todos os fenômenos de acordo com as ditas “verdades reveladas”. Estabelecem, assim, a dominação espiritual nesta área inacessível e satisfazem parte de nossa mais profunda angústia: a eterna busca pelo desconhecido, pelo além, pela palavra ou objeto perdido, que nunca serão acessados.

Tais sistemas, para alcançar seus objetivos, necessitam de ferramentas poderosas, que forneçam a chave que conecta o profano ao sagrado. Criam-se, então, os ritos, os mitos, as lendas, a liturgia e toda forma de explicação transcendental, geralmente formuladas pelos grandes “profetas”. Assim, solucionam os enigmas e os mais angustiantes mistérios e satisfazem a ânsia pelo entendimento deste campo imponderável, apesar de não possuírem qualquer fundamentação minimamente racional ou científica.

            O fenômeno religioso, portanto, se origina de um tronco único, de uma única característica humana – a necessidade elementar de elaborar as mais terríveis angústias que assolam nossas almas. Concluímos que, por extensão, todas as religiões também possuem a mesma origem. Todas são subdivisões da mesma filosofia, apesar das aparentes disparidades que percebemos ao analisá-las superficialmente, notadamente em relação à liturgia e ritualística. O pensamento místico original ditou os princípios fundamentais que nortearam a conduta humana na alvorada da civilização, muito antes do surgimento das cidades, dos reinos e dos códigos escritos.

           

2- A “QUESTÃO RELIGIOSA”  

 

            Na Constituição de 1.824 o imperador se proclamava líder absoluto da Igreja no Brasil. O poder do Bispo de Roma estava subjugado à vontade real. Os atos papais, como bulas, encíclicas, cartas, etc., só tinham validade “jurídica” em nosso território se aprovados pelo Estado, de acordo com o instituto expresso na carta magna chamado Beneplácito.  E através do Padroado apenas o imperador podia nomear os sacerdotes e criar igrejas. Esta situação desfavorável à Santa Sé levaria o clero a lutar pelo fim do regime, apoiando os ideais republicanos que se fortaleciam rapidamente .

 Por questões pragmáticas as relações entre a coroa brasileira e a Cúria Romana se mantiveram em níveis de tolerabilidade e convivência pacífica, por aproximadamente 40 anos. A ninguém interessava a criação de conflitos. Toda normatização advinda de Roma era protocolarmente aceita por estas terras.

O primeiro movimento pela retomada do poder eclesiástico ocorreu em 1.848. Pio IX assumiu a cátedra de Pedro e criticou ferozmente as chamadas liberalidades modernas, rogando pela supremacia dos “céus” sobre o poder secular.

No ano de 1.864 as investidas foram mais agudas. Como vimos anteriormente, o Papa Pio IX lança a encíclica “Quanta Cura” com seu famoso apêndice, o “Syllabus Errors”, que seria conhecida apenas por “Bula Syllabus” . Suas oitenta proposições condenaram explicitamente, entre outras coisas, o Protestantismo, a Maçonaria, a liberdade de consciência, a liberdade de culto, a separação entre a igreja e o estado, a educação leiga e, em geral, o progresso e a civilização moderna. Determinava também a intervenção em ordens leigas, se não seguissem expressamente as orientações papais, e proibia a realização de atos litúrgicos da Igreja em celebrações maçônicas. Os clérigos estavam impedidos de participar da Maçonaria. Este fato, no Brasil, era freqüente. Como tal norma não recebeu o placet de aprovação por Dom Pedro II,  não possuía validade “jurídica” no país.

Apesar disso, tudo corria na mais harmônica normalidade nas terras de Cabral. Mas, em 3 de Março de 1.872, o primeiro sinal de crise entre Igreja e Maçonaria eclodiu. Nesta data o Padre Almeida Marins saudou a proposta da Lei do Ventre Livre feita pelo Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil e Presidente do Conselho de Ministros, Visconde do Rio Branco. O discurso foi na Loja Grande Oriente, e o Padre usou linguagem maçônica em seu pronunciamento. O Bispo do Rio de Janeiro, Dom Pedro Maria Lacerda, ao saber do fato, resolveu aplicar ipsis litteris o que determinava a Bula Syllabus. Ordenou que o Padre Marins abandonasse a Maçonaria e o suspendeu de todo serviço eclesiástico. O que seria um mero exercício canônico da autoridade administrativa eclesiástica tornar-se-ia uma grave questão nacional. Os maçons iniciaram uma violenta campanha contra os bispos, e a coroa ficou incomodada com a arrogância do cardeal em aplicar uma sanção sem respaldo do beneplácito.

Em meio a toda essa tensão, o Bispo de Olinda, Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, um jovem e rigoroso capucchino, também em obediência à bula Syllabus, mandou fechar todas as Irmandades e Ordens Terceiras que não quiseram excluir seus associados maçons. Tal atitude foi seguida pelo bispo de Belém do Pará, Dom Antônio de Macedo Costa. Aproveitaram para emanar suas opiniões sobre o poder estatal sobre a Santa Sé. Dom Vital, grande expoente da intelectualidade religiosa da época,  declarou que o beneplácito imperial não passava de uma aberração, pois o recurso contra as decisões dos bispos configurava-se absurdo e herético. E Dom Macedo Costa foi mais rigoroso, dizendo que reconhecer no poder civil autoridade para dirigir as funções religiosas equivalia a uma apostasia.

Nesta mesma época Dom Vital impediu um padre, Monsenhor Pinto Campos, de realizar um casamento cujo noivo era maçom. No Pará dois outros padres também foram interditados. Entre os padres, alguns relutavam em seguir as ordens de seus superiores, como o popular padre Joaquim Francisco de Faria, de Olinda, cuja suspensão gerou cenas de vandalismo praticado nas igrejas por seus partidários.

As entidades punidas, que estavam acostumadas à autonomia, desobedeceram abertamente às determinações de exclusão dos maçons. E após Dom Vital ter lançado o interdito canônico sobre elas, tais instituições apelaram ao Imperador, alegando abuso de poder por parte do bispo. O Imperador acolheu o recurso das irmandades

Surgiu, então, a reação radical do governo, direcionada a estes dois Bispos. Neste momento a crise chegava ao seu ápice. Em 1874, o primeiro ministro Visconde do rio Branco pediu suas prisões imediatas e posterior condenações a quatro anos de reclusão com trabalhos forçados. O presidente do Supremo Tribunal de Justiça expediu mandado de prisão contra os dois bispos, dando-os como incursos no artigo 96 do Código Criminal. D. Vital e, pouco depois, D. Macedo receberam aviso oficial do ministro do Império, João Alfredo, como infratores das leis, pois o apelo das irmandades fundamentava-se no Decreto nº 1.911, de 28 de março de 1857. Dom Vital foi preso em janeiro e Dom Macedo em abril de 1874. Depois as penas foram amenizadas, para prisão simples. Em 1875, o duque de Caxias, que então era o primeiro ministro, concedeu ampla anistia, através do Decreto 5.993, de 17 de setembro, encerrando assim o conflito que se iniciara em 1872.

O Império se enfraqueceu. A prisão de dois baluartes da Igreja, independentemente do mérito jurídico, gerou um significativo afastamento entre o clero e o poder imperial. Na população comum a indignação foi geral, pois a maioria  era muito devota e fiel. A separação definitiva entre Igreja e Estado estava iminente.

 

3- O VIGÁRIO BARTOLOMEU      

 

Dentre as personalidades que protagonizaram este interessante capítulo de nossa história, que ao lado da “Questão Militar” e da “Questão Social ou Abolicionista” foram as grandes causas da derrocada do governo imperial, destaca-se a figura do Vigário Bartolomeu da Rocha Fagundes.

Nascido em 8 de setembro de 1.815 em Vila-Flor, vilarejo do município de Canguaretama no Rio Grande do Norte, foi criado em Natal, pois sua família  mudou-se muito cedo para a capital, devido aos negócios do pai. Este senhor,  também chamado Bartolomeu, era Maçom regular. Membro da Loja “Sigilo Natalense”, tinha o nome simbólico de Talleyrand, e incentivava o filho a ler tudo que estava ao seu alcance. Sua mãe, Florência Gomes de Jesus Fagundes, o educava com grande rigor e disciplina. Estes fatores explicam o caráter íntegro, guerreiro e de bons costumes que viria a manifestar no futuro.

Após terminar o curso primário, matriculou-se no Seminário de Olinda, que era o grande centro de formação cultural e intelectual da época, naquela região. A ênfase nos ensinamentos com base humanística, ministrados nesta instituição,  iriam influenciar suas idéias de maneira marcante ao longo de toda sua vida.

Aos 24 anos de idade, em 1.839, recebeu o sacramento da Ordenação, pelas mãos do Bispo de Olinda, Dom João da Purificação Marques Perdigão. A Diocese de Olinda englobava a província do Rio Grande do Norte neste período. Sagrou-se Vigário da Paróquia de Vila-Flor, chamada Nossa Senhora do Desterro , que depois passou a ser denominada Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação. Sua primeira missa foi celebrada em 06 de Janeiro, dia de Reis.

Era extremamente bem conceituado na comunidade, pelo seu espírito  incansável de defesa dos menos favorecidos, além de sua capacidade ímpar de liderança na condução de inúmeras iniciativas filantrópicas. Ficou conhecido como um legítimo pastor de almas, na acepção mais sagrada e virtuosa do termo. Tinha marcante influência social e freqüentava todos os lares da cidade, orientando os fiéis nas questões mundanas e espirituais. Também atuava como professor e mestre, alfabetizando os mais humildes e trazendo cultura e informações em suas preleções. Como era um grande orador, agregava multidões. Suas falas se tornaram famosas e uma referência na sociedade local. Exercia atividade político-partidária, tendo ingressado no Partido Liberal, onde foi líder destacado.

Como conseqüência natural deste perfil, acabou se iniciando nos mistérios da Arte Real na Loja Simbólica “Conciliação”, da cidade de Recife. Em seguida se transferiu para a Loja Simbólica “Sigilo Natalense”, a mesma de seu pai, no oriente de Natal. Adotou o significativo apelido de Guilherme Tell. Rapidamente galgou os degraus da escada de Jacó, sendo nomeado 1º Vigilante em pouco tempo.

Em 1.867, com a fundação da Loja Simbólica “21 de Março”, foi eleito seu primeiro Venerável-Mestre. Foi seguidamente reconduzido ao cargo, por dez anos. Infelizmente passou ao Oriente Eterno em 2 de Novembro de 1.877, com apenas 62 anos de idade, em meio a uma profícua e reta carreira entre Colunas.

Os caminhos do obreiro e do religioso estavam em total  harmonia, até se cruzarem com a bruta realidade das relações entre Estado e Igreja, no auge da “Questão Religiosa”. O Vigário Bartolomeu foi convocado à Olinda, com urgência. Viajando 300 km a cavalo, foi recebido pelo Bispo Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira que, educadamente, determinou que ele abandonasse imediatamente a Maçonaria. A sanção prevista na encíclica do Papa Pio IX,  Quanta Pura, Syllabus Errors, seria  aplicada de forma impiedosa no caso de desobediência. Como citado anteriormente, esta bula determinava, dentre outras medidas, que era proibida a filiação dos membros da hierarquia do clero à Sublime Ordem. Nosso Irmão, em presença de seu superior, que detinha imenso poder e prestígio, manifestou de forma inequívoca seu descontentamento com tal medida, e já adianta que dificilmente poderia cumprir este mandamento, uma vez que se baseava exclusivamente na materialidade das leis canônicas. Defendeu a compatibilidade entre as condutas cristã e maçônica, apesar das normas existentes. Em seguida, foi-se embora da mesma forma que tinha chegado.

Regressando à Natal, foi recebido como verdadeiro herói pelos Irmãos de sua Loja. Imediatamente presidiu uma memorável Sessão, fato que chegou ao conhecimento de Dom Vital, que ficou enfurecido. Interpretando esta atitude como uma terrível afronta às suas ordens, o Bispo ameaçava caçar os direitos eclesiásticos do “rebelde”, remetendo um ofício no qual manifestava o ultimato final. Neste documento exigia que, além de abandonar as Colunas de Salomão formalmente, deveria o obreiro divulgar este fato em toda imprensa local, através de nota oficial nos jornais. 

A resposta do Vigário Bartolomeu veio através de uma carta, endereçada a Dom Vital. Com grande veemência e firmeza de opinião, tal documento,  além de explicitar todo amor que um legítimo obreiro pode manifestar, deixava claro que nosso Irmão jamais abandonaria a Ordem Maçônica, estando disposto a pagar o preço por sua honrada postura.

Dom Vital, então, cumpriu as ameaças. O padre “rebelde” teve suas ordens e obrigações suspensas, apenas por ser ao mesmo tempo clérigo e Maçom, uma vez que se recusou  terminantemente a abandonar as Colunas de Hiram.

Mesmo afastado das funções eclesiásticas, nosso Irmão manteve sua atuação social e filantrópica na comunidade. As pessoas continuavam respeitando e dignificando sua conduta reta e iluminada, mesmo sabendo que não se alinhava, administrativamente, à Santa Sé. Jamais foi considerado um pecador ou herege, como poderia se esperar em um caso desta natureza. Sua voz e sua alma continuaram brilhando no árido agreste.

 

4-CONCLUSÃO      

 

Em termos essenciais, todo ser livre de pensamento, abençoado pela luz justa e perfeita da sabedoria, defende os mesmos princípios. Estes advém das culturas primordiais, dos tempos ancestrais, e da religião verdadeiramente universal, sendo independentes da vontade manifestada de um ou outro soberano – seja do poder secular ou religioso.

A origem conceitual de todas religiões e das organizações fraternas com base iniciática é rigorosamente a mesma. Todas são entidades que elaboram, aperfeiçoam, difundem e defendem as idéias criadas pelos verdadeiros pais da filosofia e religiosidade, que atuaram em um passado remoto, em eras perdidas no tempo. Estes sábios-profetas traçaram, com esquadro e compasso, a retidão de conduta, as normas não-escritas e a obrigatoriedade de respeito mútuo que todos devem manifestar. Isto ocorreu há muitos milênios – talvez milhões de anos – atrás. A partir destes conceitos seminais as estruturas ordenadas e gerenciais que administram a fé foram se cristalizando.Quando pensamos nos atos praticados a partir do século I, ou nos anos de 1.717 e 1.738, estamos  nos referindo à época de surgimento das ordens , das estruturas burocráticas e das institucionalizações dos protagonistas de nossa história.

A partir deste raciocínio entendemos que para saber se estamos contrariando uma regra formal de uma entidade, basta consultar os regulamentos escritos que estejam em vigência. Mas, se pretendemos saber se contrariamos uma norma essencial,  temos que buscar o sentido dos verdadeiros conceitos intangíveis para chegar a uma conclusão.

O Padre Bartolomeu descumpriu uma determinação da Igreja porque tinha certeza que agia de acordo com a verdadeira filosofia católica, emanada a partir dos fundadores da religião, não pelos desejos dos eventuais  “gerentes”da fé.

Fica claro, analisando a história de vida de nosso padre-Irmão, que é perfeitamente possível a conciliação entre os papéis de religioso, seja qual for a vertente, e de obreiro da Arte Real. O fato de existir restrições “legais”, em determinados casos, não deve  preocupar aqueles que tem a alma serena. Estas imposições, como vimos, se referem exclusivamente ao campo da materialidade dos regulamentos. Tais prerrogativas nada gerenciam em relação aos ideais advindos do conhecimento essencial, da linguagem do sagrado que se contrapõe ao profano, da luz que esfacela a ignorância.

Para honrar sua promessa formal de nunca trair a Maçonaria, respeitando piamente os princípios éticos e morais mais justos, nosso bravo pastor de almas sacrificou sua carreira e até mesmo uma vida inteira em nome de uma rara dignidade que só os verdadeiros iluminados podem demonstrar

 

Referências:

 

1-      Baigent, M & Leigh, R , “O Templo e a Loja”, Editora Madras,  2.006;

2-      Benigno, I. “O Vigário Bartolomeu”, em Cadernos de Pesquisas Maçônicas 10, Editora Maçônica “A Trolha”, 1ª Edição, 1.995.

3-      Benimelli, J. A. F., Caprille, G. “Maçonaria e Igreja Católica: Ontem, Hoje e Amanhã”, Editora Paulus , 4ª Edição, 1.981;

4-      Campbell, J. “Máscaras de Deus – Mitologias Primitivas”, 7ª Edição, Editora Palas Athena, 2005;

5-      Campbell, J. “O Poder do Mito”, 1ª Edição, Editora Palas Athena, 1990;

6-      Código de Direito Canônico, Editora Loyola, 1ª Edição, 1.997;

7-      Kloppenburg, D. B. “Igreja e Maçonaria: Conciliação Possível?”, editora Vozes, 5ª Edição , 2.000;

8-      MacNulty W. K, “Maçonaria: uma Jornada por Meio do Ritual e Simbolismo”, Madras Editora, São Paulo, 2.006;

9-      Robinson  J.J., “Os Segredos Perdidos da Maçonaria”, Madras Editora, São Paulo , 2.005 ;

Na Internet:

http://www.vatican.va/holy_father

 

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