HISTÓRIA DA MAÇONARIA JAUENSE

por Carlos Alberto Carvalho Pires

1-INTRODUÇÃO (considerações sobre a Ordem Maçônica)

A Maçonaria é uma instituição muito antiga, cujas origens se perdem ao longo da História, mas que tem a data de 24 de Junho de 1.717 como sendo o o marco inicial de sua existência formal. Tal sociedade,  composta exclusivamente por homens por uma questão de tradição histórica, aceita pessoas de todas as etnias, nacionalidades e religiões. Os cidadãos, para serem convidados a participar desta fraternidade, precisam apresentar boa reputação moral, cívica, social e familiar. São aceitos através de um ritual conhecido como iniciação – uma cerimônia litúrgica comum a várias organizações filosóficas. Nas chamadas Lojas Maçônicas utilizam-se alegorias e símbolos que possibilitam a realização dos trabalhos de meditação e estudos, sempre voltados para o aprimoramento da humanidade.

São valores essenciais dos maçons espalhados pela Terra o respeito à Deus, à patria, à família e às pessoas em geral. O exercício da tolerância deve ser prerrogativa inquestionável de todos no convívio social. A livre investigação da verdade, amparada pelo conhecimento das antigas tradições místicas criadas ao longo dos tempos, juntamente com a evolução do conhecimento obtido pelos estudos das ciências, da filosofia e artes, é também uma das preocupacões dos membros ativos, que lutam diuturnamente pela preservação da mais justa liberdade, igualdade e fraternidade entre os povos e entre os indivíduos.

Todos maçons devem obedecer às leis democráticas do país, combater legitimamente toda forma de fanatismo, obscurantismo ou qualquer outra situação que cause danos aos valores fundamentais da humanidade, e sempre praticar a filantropia de maneira discreta, considerando também toda forma de trabalho lícito e digno como dever primordial do cidadão.

2- INÍCIO DOS TRABALHOS

O Oriente de Jaú, estado de São Paulo, Brasil, necessitava ser abrilhantado pelo verdadeiro ideal maçônico para atingir todas as glórias emanadas pelo espírito fraternal de Hiram. Por volta do final do ano de 1.986 alguns poderosos Irmãos, que estavam adormecidos,  imbuídos por esta preocupação justa e perfeita, resolveram retornar aos trabalhos místicos de reconstrução do Templo de Salomão a plena força e vigor.  Considerando a importância e as potencialidades da cidade e região, e a qualidade pessoal, profissional e humanitária de tantos cidadãos dispostos a se dedicarem às mais nobres causas, estava plenamente justificado o surgimento de uma nova Loja que deveria florescer expandindo os limites dos ensinamentos por todo universo.

O grupo começou a se reunir para planejar como se concretizaria a idéia, sob a batuta do Irmão Manoel dos Santos. Destacam-se nesta fase inicial o idealismo e perseverança dos Irmãos Manuel Sebastião Lima, Luiz Umberto de Pádua e Adelino Morelli. Para enriquecer a experiência maçônica optaram por se filiar à Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo.

Após algumas reuniões preliminares, em 17 de Dezembro de 1.986 foi oficialmente fundada a Augusta e Respeitável Loja Simbólica Acácia de Jaú, assumindo o número 308, vinculada à Sereníssima Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo – GLESP, e praticando o Rito Escocês Antigo e Aceito.

O nome da Oficina foi uma homenagem à famosa planta nativa do Oriente Médio, conhecida também como sempre-viva. É um poderoso símbolo da força e vigor da vida, pois sobrevive às piores provações possíveis, como secas terríveis e geleiras dilacerantes. Mantém a vitalidade e o verde de suas folhas, nestas condições adversas, mesmo quando o Sol desaparece quase por completo ou quando, ao contrário, derrama seus raios com extremo rigor. Assim como a verdadeira Luz maçônica que nunca se apaga, esta magnífica maravilha da natureza representa a essência da ressurreição e da perenidade da existência.

As primeiras Sessões eram realizadas provisoriamente no Centro Cultural da Prefeitura de Jaú, sito à Rua Visconde do Rio Branco, 157. Considerando a experiência anterior dos Irmãos, o Rito Escocês Antigo e Aceito foi escolhido.

 

3- PRIMEIROS MEMBROS

Os membros fundadores foram, além dos já citados, os Irmãos Luiz Ângelo Bortolai, José Francisco Fernandes Rodrigues, Dorival Caetano Bergamini e Alvimar Rodrigues.

A diretoria provisória, empossada em 04 de Fevereiro de 1.987, foi constituída pelo Venerável Mestre Provisório Irmão Manoel dos Santos, 1º Vigilante Irmão Luiz Umberto de Pádua, 2º Vigilante Irmão Alvimar Rodrigues, Orador Irmão Manuel Sebastião Lima, Chanceler Irmão Luiz Ângelo Bortolai, Secretário Irmão Adelino Morelli e Tesoureiro Irmão José Francisco Fernandes Rodrigues.

A Carta Constitutiva Provisória, assinada pelo Sereníssimo Grão Mestre Orfeu Paraventi Sobrinho, foi emitida em 21 de Fevereiro de 1.987.

As Sessões Magnas eram realizados no Templo da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Fraternidade de Brotas, no oriente de Brotas-SP.

A primeira Iniciação ocorreu em 26 de Março de 1.988, sendo iniciados os Irmãos Batista de Oliveira Júnior, Francisco Carlos Escanhuela, Lucio João Sega e Manoel Martins de Oliveira Neto.

Em 06 de Setembro de 1.988 foi realizada a primeira eleição oficial, sendo eleito para Venerável Mestre o Irmão Manoel dos Santos. A instalação e posse ocorreu em 21 de Março de 1.989. A Diretoria se compunha dos seguintes Irmãos: Luiz Umberto de Pádua (1º Vigilante); José Francisco Fernandes Rodrigues (2º vigilante); Adelino Morelli (Orador); Francisco Escanhuela Fernandes (Tesoureiro); Luiz Ângelo Bortolai (Chanceler); Dorival Caetano Bergamini (Hospitaleiro); Alvimar Rodrigues (Porta-Estandarte); Batista de Oliveira Júnior (1º Diácono); Francisco Munhoz Diniz (2º Diácono); Raul Rizato Junior (Mestre de Cerimônias); Manoel Martins de Oliveira Neto (1º Experto) e Lúcio João Sega (Secretário). 

No dia 23 de Junho de 1.989 foi recebida a Carta Constitutiva Definitiva.

Em meados de 1.990 foi dado início à construção do novo Templo, sito à Avenida Dr Quinzinho 308, quase em frente ao Jaú Shopping.

A inauguração do Templo e  sagração transcorreram em 04 de Fevereiro de 1.994, por ato do Sereníssimo Grão Mestre Salim Zugaib.

Recentemente foi realizada uma ampla reforma no salão de recepções do Templo, iniciada em dezembro de 2.007 e finalizada em Abril de 2.008.

 

4- FILANTROPIA ACACIANA

Os Irmãos da A.R.L.S. Acácia de Jaú sempre se preocuparam em colocar em prática os ideais maçônicos mais legítimos, notadamente em relação ao exercício pleno, efetivo e altruístico da filantropia.

Importante ressaltar que a Loja Acácia tem a rara vocação de empreender iniciativas filantrópicas em conjunto, em nome de todos IIR – sem exceções. Não se tratam de ações isoladas de um ou outro IR, ou mesmo de um pequeno grupo da oficina. Toda Loja aprova e se empenha, em conjunto, em expressar na prática o verdadeiro espírito da caridade, tão propalado mas tão pouco exercido. Exemplo disso foi a assunção plena da  Presidência e Diretorias do Abrigo São Lourenço, desde 2.006. O Ir Pedro Aparecido Lopes Tótene foi eleito presidente, e todas as diretorias se constituíram por IIR regulares do quadro. Além disso, os 50 IIR são associados da entidade, com direito a voto e com a obrigação de participar das atividades rotineiras relacionadas à manutenção e preservação do bem-estar dos 60 idosos que dependem deste trabalho.

Outra iniciativa em conjunto é o apoio material e operacional à Casa da Sopa do Bairro Santo Ivo. Nesta entidade são servidas refeições gratuitas à comunidade local, que é uma das mais carentes e necessitadas de toda cidade. São fornecidas mais de 80  refeições/dia. O Ir Paulo Toledo França Junior e cunhada Deise, além de outros bravos, se destacam na persecução de mais este maravilhoso exemplo da legítima filantropia.

Para manter estas e outras atividades, são necessários recursos financeiros. Os IIR contribuem, via mensalidades, para subsidiar estas obras, mas só isso não é suficiente. É preciso, então, desenvolver  medidas que visem arrecadar fundos que são revertidos exclusivamente a estas obras sociais. Assim, desde 1.994 realizam anualmente um valoroso trabalho junto à Feira ExpoJaú, sempre no mês de Agosto, acompanhando as comemorações do aniversário da cidade, que reverte vultosos fundos para diversas instituições sociais. A Oficina possui um barracão de 500 m2 com toda estrutura de restaurante, incluindo banheiros, cozinha, etc, que é utilizado para a venda de espetos de carne e outras refeições ao público em geral. Este serviço já é tradicional na cidade. Toda arrecadação se destina, basicamente, ao Abrigo São Lourenço e à Casa da Sopa.

Alem deste trabalho durante a feira, em vários eventos realizados no Caiçara Clube, como Festa Junina, celebração dos campeonatos internos de futebol, e tantos outros, os Irmãos se fazem presentes. Nestes também o forte é a venda de espetos, cuja arrecadação é em prol da beneficência social.

Outro evento poderoso, de grande repercussão na região e  que reflete com precisão o profundo espírito de solidariedade dos IIR é o “Porco no Rolete”. Em 2.008 a Loja Acácia comemora a realização da 15a edição desta festa, que é  organizada por todo o quadro e que já é, a exemplo da venda de espetos, um marcante e aguardado evento que faz parte do calendário social da cidade. No estilo jantar dançante, mais de 800 pessoas se reúnem no salão de eventos do Caiçara Clube de Jaú, com show ao vivo de bandas conceituadas da região, para degustar cerca de 15 porcos assados em grandes churrasqueiras. Como sempre, a renda integral vai para a manutenção das entidades sociais assistidas pela Oficina.

5- EXC LOJA DE PERFEIÇÃO

 Em 07 de Novembro de 2.007 foi constituída, no Templo da gloriosa Loja Acácia, a Excelsa Loja de Perfeição Manoel Sebastião Lima, sob jurisdição do Supremo Conselho do Grau 33 da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, tendo como presidente o Irmão Antônio Carlos de Oliveira, 33′,  1º Vigilante Luiz Umberto de Pádua, 14′,  2º Vigilante Pedro Aparecido Lopes Tótene, 33′, e Secretário o querido Irmão Júlio de Arrais Feitoza Neto, 33′, idealizador e mentor espiritual desta magnífica empreita. O nome desta poderosa loja é uma justa homenagem ao saudoso Irmão Manoel Sebastião Lima, 33′, um dos fundadores da Loja Acácia e grande exemplo de dedicação e amor à nossa ordem.

 

 

6- CONCLUSÃO

A A.R.L.S. Acácia de Jaú  número 308, contando atualmente com 50 membros, se destaca pelas iniciativas filantrópicas que desenvolve em conjunto, acionando todos os IIR do quadro, sem exceções. Esta é a verdadeira obra maçônica, sempre pautada pela harmonia e mais sincera fraternidade entre todos, que justifica plenamente a existência de nossas oficinas. Que a Luz e a sabedoria emanada das mais justas tradições ancestrais continuem orientando os rumos de tão significativa oficina, sempre com  a proteção e glória do G.A.D.U. 

7- REFERÊNCIAS 

7.1- Documentos da Secretaria da ARLS Acácia de Jaú;

7.2-Informações pessoais prestadas pelo Ir Antônio Fernando Reginato;

7.3-Informações prestadas pelo Ir Júlio de Arrais Feitosa Neto, atual V.M.

e Secretário de Honra da Oficina.

Autor:  Carlos Alberto Carvalho Pires, M:.M:.