FILOSOFIA E LÓGICA

Por Carlos Alberto Carvalho Pires

1-INTRODUÇÃO

            A pessoa que se dedica a realizar estudos filosóficos, seja um legítimo profissional da Filosofia ou um especulador-livre que trafega por vários campos do conhecimento, tem vários instrumentos a sua disposição para realizar adequadas avaliações das várias formas de manifestação das idéias e raciocínios elaborados pela mente humana.

            Todo raciocínio deve apresentar um sentido que satisfaça a inquietação de todo ser pensante e para isso deve obedecer a uma série de requisitos referentes às diversas formas de se analisar as proposições em si. Existem diversas características das proposições que devem ser consideradas, como observar se existem pelo menos dois termos presentes e que sejam perfeitamente identificáveis, e também é preciso verificar sua extensão em relação a sua compreensão. Quanto aos termos temos que fazer sua classificação. Esta classificação pode ser em termos de gênero, espécie e se é um termo individual.

            Para conferir a validade destas proposições, porém, devemos partir para sua análise. De acordo com Mora, “a análise é a decomposição de um todo nas suas partes. Mais que de um todo real e dos seus componentes reais—como acontece nas análises químicas— entende-se essa decomposição num sentido lógico ou então mental” (MORA, 1978). Deste modo, entendemos que quando analisamos uma proposição, estamos pensando nos detalhes ou nos elementos que a compõe.  Em seguida vamos lançar uma análise lógica sobre a proposição. Por lógica entende-se algumas maneiras de se raciocinar, que incluem a dialética, a avaliação sob o contexto histórico, a retórica e todas as demais formas de se buscar a compreensão final do pensamento.

2- DESENVOLVIMENTO

O que significa filosofar? A esta pergunta podemos considerar que filosofar, no sentido acadêmico do termo, é fazer pesquisas em um determinado campo do conhecimento humano que se reveste de todas as formalidades inerentes a qualquer ramo das ciências humanas. Bergsson afirma que “filosofar é entrar em contato com a duração real, que é a essência da realidade, contato este que somente a intuição pode nos dar”. (BERGSSON, 1984).

            Para determinados pesquisadores, como Cunha, filosofar é antes de tudo ter uma voz e buscar construir uma voz própria (CUNHA, 1992). Neste ponto, vemos claramente que para este autor não basta o filósofo ser apenas um analista ou divulgador das idéias já concebidas. Deve desenvolver um pensamento original e individual, exercitando suas habilidades intelectuais e criativas no limite de sua capacidade. Sobre o ato de filosofar em sim, podemos considerar que “ler e escrever em filosofia devem ser considerados como partes de um único e mesmo processo: refletir filosoficamente e escrever filosoficamente, concretizando a reflexão filosófica no ato mesmo de escrever e adaptando as sugestões descritas acima às suas necessidades e possibilidades pessoais(FOLSCHEID, D; WUNENBURGER, J.J. 2006).

            A lógica, neste contexto, é um dos principais instrumentos utilizados pelos filósofos para realizar estes procedimentos científicos, buscando entender e aperfeiçoar as diversas formas de manifestação do pensamento humano. De acordo com Mora, a lógica assim como qualquer outra ciência se apresenta como uma forma de linguagem, que por sua vez é do tipo cogniscitivo. Além desta condição, a lógica também se manifesta através de um determinado vocábulo, que se refere apenas às expressões dos fatos e não aos fatos em si, e tem como objetos os termos do vocabulário lógico (MORA, 2001).

            Nesta linha de pensamento, Japiassu e Marcondes descrevem a lógica como sendo, em um sentido amplo, o estudo da estrutura e dos princípios relativos à argumentação válida, sobretudo se consideramos a chamada inferência dedutiva e os métodos de prova e demonstração. Este autor menciona que existem três formas de se trabalhar com a lógica. Como uma ciência do concreto ou real, como uma ciência do pensamento ou como uma ciência da linguagem ou das linguagens formais (JAPIASSU, MARCONDES, 2001).

            No final do século XIX, de acordo com Abbagnano, a lógica passou a ser entendida como uma teoria do pensamento, e assim tratada com métodos naturalistas pelos positivistas e com métodos metafísicos e transcendentais pelo movimento idealista, e considera que é estruturada pela razão formal, conceito este que se apresenta na forma arquitetural do pensamento manifestado historicamente na área científica e na própria reflexão lógica (ABBAGNANO, 1998).

                A lógica, assim, contribui de maneira impar e inquestionável para a arte da Filosofia, que segundo Chauí , seria “um ato de reflexão, e por isso mesmo radical, pois é um movimento de volta do próprio pensamento a si mesmo, para conhecer-se a si mesmo”(CHAUÍ, 2004).

3-CONCLUSÃO

            Quando nos propomos a fazer filosofia, no sentido geral ou acadêmico, temos que considerar que o ato científico de filosofar é uma atitude tipicamente científica e de grande complexidade, que se volta às grandes questões existenciais que a mente criativa humana elaborou ao longo de toda sua existência. O filósofo, assim, é um pesquisador ou cientista. Seu objeto de reflexões, porém, muitas vezes se refere ao próprio pensamento em si – a arte filosófica vai além do campo empírico das ciências, adentrando ao nível das idéias racionais ou metafísicas.  E para atingir este objetivo, uma das principais ferramentas a disposição para se analisar as proposições é a chamada lógica, que deve ser utilizada da forma mais rigorosa por todos os profissionais da filosofia. Sem compreender suas características, seus elementos essenciais e todo o sentido deste vasto campo do conhecimento, fica praticamente impossível compreendermos com validade o sentido de todas as proposições elaboradas pela linguagem humana, que manifestam em última análise as várias manifestações do pensamento humano.

 REFERÊNCIAS  

ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia.5ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

 BERGSSON, H. A evolução criadora, Tradução de Adolfo Casais Monteiro, Rio de Janeiro: Opera Mundi, 1971. In PANSARELLI, D. Logos e Práxis: leituras de filosofia antiga, ética e política. ROSSETTI, R. Origem da Filosofia, S B Campo: Umesp, 2010, p.20.

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2004. In PANSARELLI, D. Logos e Práxis: leituras de filosofia antiga, ética e política. ROSSETTI, R. Origem da Filosofia, S B Campo: Umesp, 2010, p.14.

CUNHA. José Auri. Filosofia: iniciação à investigação filosófica. São Paulo: Atual, 1992

FERRATER MORA, J. Dicionário de Filosofia. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1978. Disponível em www.4shared.com/dicionario_de_filosofia-Jose-ferrater-mora.htm. acesso em 20/03/2010.

 FOLSCHEID, D; WUNENBURGER, JJ. Metodologia Filosófica. São Paulo: Martins Fontes, 2006

 JAPIASSU, H. MARCONDES, D. Dicinário Básico de Filosofia. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.