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Da Série : “Lendas da Antiguidade”, aula 17. (texto integral)

A LENDA DO CAVALEIRO DO OCIDENTE E DO ORIENTE

(textualização de palestra proferida em 29/11/15) – Carlos Alberto Carvalho Pires.

Capítulo 1: O delírio do Cavaleiro.

Reza esta lenda que um estranho sonho acometera um poderoso Cavaleiro da Ordem de Jerusalém em uma noite fria de outono, enquanto dormia sossegadamente em uma tenda odalística no deserto de Wadi Rum, a cerca de 100 milhas das margens do Mar Morto. O delírio do guerreiro fora violento e o fizera levantar de pronto, com a espada Excalibur em uma mão e o cajado de Moisés na outra – na verdade eram réplicas destas relíquias, confeccionadas por algum artífice habilidoso do Grande Bazar de Istambul. O garrafão de 5 litros de Macallan, que jazia no chão ao lado de seu pé direito, estava completamente vazio. A visão do indivíduo estava meio turva, quase nada ele enxergava – talvez pelo efeito etílico severo, talvez pela poeira sutil que floreava por entre as correntes de ar trespassando os véus da barraca. O Cavaleiro era Sir Régis Armand Natus, da Ordem dos Dragões da Coroa Imperial Austro Húngara. O homem, como grande estudioso das tradições mais antigas, desde os Orientalismos extremos até a Cabala Mística, percebera que estava pisando em terras sagradas, marcadas pelo sangue derramado pelos pescoços cortados e pelos corações arrancados de muitos discípulos de Gregório II. Ele sentia um clima espiritual estranho rondando sua mente e sua alma. O ano era 1.215. As rotas de peregrinos estavam fluindo razoavelmente em segurança. Sir Régis tinha por obrigação “de Ordem” ficar em pé protegendo um flanco no trajeto de Petra à Damasco, pelo lado leste. Ali muitos fiéis pereceram nas sangrentas batalhas de Oliveras e de Catis Gas, detonadas cem anos antes. Estas batalhas foram o resultado das investidas de um grande líder muçulmano, chamado pelos cristãos de Sabáth . Este incansável servidor de Alá tinha conduzido bravos centuriões persas contra as colunas de uma caravana de fiéis que transitava rumo ao Oriente e dizimou a todos – o nome da caravana, segundo Flavius Josephus, era Ramos de Romãs. Poupou as mulheres, as crianças e os cachorros – Sabáth tinha grande simpatia pelos bichinhos de estimação. A reação da Cristandade fora imediata: hordas de cruzados enfurecidos sob o comando de Julius de Noronha e de Luigi da casa de Pádua, da Itália, cruzaram o Rio Jordão e massacraram os vassalos de Sabáth. O general da plêiade moura ficou pendurado de cabeça para baixo, tal qual a carta de tarot, durante 7 longos anos. Dizem que uma águia que voava muito alto, conhecida por Serip, o protegia todo santo e encapetado dia – ela afugentava os carniceiros e os saqueadores que rondavam o mouro, durante seu calvário na corda. Seja verdade ou não essa história da águia, a batalha estava encerrada. A atmosfera engendrada por este massacre, que durou da meia noite ao meio dia, era o que nosso conde Sir Regis estaria sentindo neste momento, logo ao despertar do sono ectoplásmico e escatológico que tivera na noite fria sob a luz do crescente arenoso. O delírio onírico do soldado retornava a sua consciência como se realidade fosse. Ele, vislumbrando a aurora ao longe, que despontava no horizonte das dunas que alfinetavam o azul tênue do céu nascente, ficou impressionado com a essência de seu pesadelo. No caos das ondas R.E.M. de sua psiquê dormente, ele encarnara o rei Dario, da Pérsia. Dario? Pensava ele inquieto! Qual raio de razão levaria um servo de São Paulo a se imaginar como a encarnação do mal no Oriente Médio e quiçá em toda a terra conhecida? Ele se encontrava sentado no trono da Babilônia, com uma vasta e cabeluda barba branca, ditando ordens aos asseclas e deliberando sobre o bem e o mal em seu imenso reino. A explicação teria que surgir logo para o Cavaleiro de Jerusalém, e isto era o esperado pois explicar o inexplicável era a missão principal de nosso arguto herói.

capítulo 2 – O rei Dario I.

O grande Cavaleiro Húngaro se travestira  como o legítimo comandante das terras persas, esse era o fato onírico central da fábula da madrugada. Já raiando os primeiros flashes de Sol na linha do horizonte, Sir Régis abriu sua mochila de couro de Lhama, que ganhara de um andarilho peruano que finalizara a rota de peregrinação até Jerusalém uns 10 anos antes. Lá de dentro retirou um papiro onde estava toda , ou quase toda, história dos impérios do Oriente Médio. Esta cartilha era de porte obrigatório a todos os defensores das caravanas cristãs, para saberem que povos eram mais amigos, e que povos eram menos amigos naquelas paradas onde “o filho chora e só Deus ouve”, como afirmaria Sir Lawrence no século 20. O nobre europeu não fazia a menor ideia do que seria uma Lhama, só sabia que era um bicho esquisito, e muito menos onde ficaria este reino chamado Peru. De qualquer modo, ele se acomodou ao lado de uma Acácia frondosa, sentando no chão de areia gelado enquanto o dia ia clareando celeremente. Pegou seus óculos para leitura – uma novidade extraordinária, que achara nos destroços de uma carroça chinesa atacada por bárbaros auto-intitulados Irmandade do Grande Oriente ou algo assim – e releu as linhas tortuosas escritas sobre seu alter ego noturno. O Rei Dario viveu de 550 a 486 a.C. Foi o terceiro imperador do reino de Aquemênida, na Pérsia, atual Irã, de 521 a.C. até a sua morte. Ele foi empossado no lugar de Cambises II (reinou de 530 a 521 a.C.) , que era filho do Grande Ciro II. Cambises conquistou o Egito em 525 a.C. e se declarou faraó. Em 522 a.C. ele, junto com Dário, debelaram uma grande rebelião no interior da Pérsia. Cambises morreu durante a viagem de volta. Dario, que era seu parente distante, assumiu o trono, através de uma manobra política inusitada. O irmão de Cambises, Bardiya,  deveria subir ao poder máximo, mas foi acusado por Dario de ser um impostor, pois seria na realidade um mago disfarçado como herdeiro do trono – Cambises tinha confessado a Dário que matara o próprio irmão anos antes, já temendo que ele pudesse usurpar a coroa para si. Esta prática, de eliminar possíveis sucessores da própria família, era trivial entre os monarcas da Antiguidade (atualmente as estratégias de perpetuação no poder estão bem mais elaboradas/sofisticadas). De um jeito ou outro, Dario estava com todo o reino da Pérsia a sua mercê. E suas conquistas foram imensas – o Império Persa teve seu apogeu nesta fase. Inicialmente ele reformou o sistema monetário, o sistema jurídico e a administração geral. Depois dividiu o reino em 20 províncias chamadas Satrápias nomeando como “governadores ” os famigerados sátrapas, que eram homens de sua plena confiança – o poder era hereditário nestas capitanias. Impôs o alistamento militar obrigatório aos jovens, reformulou a estrutura militar e mudou a capital de Pasárgada para Persépolis (nota:  se eu for para o Irã algum dia, as ruínas de  Persépolis serão parada obrigatória – dizem que  são mais magníficas do que as ruínas de Petra, na Jordânia). Implementou várias obras monumentais por todo o reino, notadamente em Susa, Persépoli, Pasárgada, na Babilônia e no Egito. Feita a “lição de casa”, partiu para as empreitas de guerra. Atacou boa parte da Ásia ocidental, o Cáucaso, os Bálcãs, a parte norte e nordeste da África ( incluindo Egito, Sudão e Líbia), a Eritréia, o Paquistão, as ilhas do Mar Egeu, a Trácia, a Macedônia e o norte da Grécia.

A Pérsia era extremamente tolerante em relação às culturas, às tradições históricas e à fé de seus súditos. Dario, assim como Ciro antes dele, respeitava todas as modalidades de cultos que se difundiam nos povos conquistados. Nesta linha operandi, ele autorizou os judeus que reconstruíssem o Templo de Jerusalém ( de Salomão).  Notem que esta faceta, nos livros e filmes hollywoodianos, não aparece: ao  contrário de todas as evidências históricas, os persas são rotulados como uma horda de guerreiros sanguinários brutais e não-civilizados, no sentido ocidental do termo. Dario faleceu em plena campanha pela conquista integral da Grécia.  Se Cambises tinha obsessão pelo Egito, Dario tinha uma atração atroz pela Grécia. Morreu de uma infecção súbita e foi substituído pelo seu filho Xerxes I. Seu nome passaria à História como Dario I, pois outros sucessores tiveram a mesma alcunha.

Após recapitular a história de sua personagem no sonho, lorde Régis ficara impassível. Ainda não conseguia vislumbrar as razões desta aventura transformista que experimentara horas antes apenas pelo estudo da biografia do protagonista maior. Se Dario I não se explicava por si, seria preciso analisar o sentido das passagens vivenciadas para entender o porquê da ocorrência de tão bizarra alucinação. Régis sentia como se ainda tivesse algo como vendas nos olhos, pois se sentia um tanto cego, pois se mostrava incapaz até este momento de desvendar o enigma. O Sol estava quase a pino, era perto do meio dia no deserto mais espetacular da Terra. Ele olhou lá e acolá, procurando um bom sítio para acomodar seu corpanzil pois a meditação que estava por vir seria deveras inquietante.

capítulo 3 – Desvendando o sonho

Deitado sob a sombra das poucas palmeiras que circundavam o pequeno poço que fornecia água ao nosso guerreiro cruzado e aos nômades (cristãos, claro) que por ali passavam, com o Sol a toda carga – devia estar mais de 50º C na penumbra – a tarefa agora era investigar a mensagem codificada do sonho que tanto angustiava o espírito de nosso herói. Um certo sono leve fustigava os pensamentos, enquanto sua visão se perdia nos confins das dunas avermelhadas.

Tendo a linha infinita do horizonte em frente, o velho carrasco recordara que , nos minutos iniciais do delírio,  chegara ele defronte  a um imenso Templo, com duas Colunas de Bronze talhadas  uma de cada lado do pórtico. O sonho retornava a sua mente como naquela noite emblemática. O Conde descera meio desajeitado de seu bode preto. A dificuldade em descer era comum devido a parca altura do animal e pelo relativo excesso de peso do caboclo que montava. O uso de montarias mais rebuscadas estava esquecido há séculos naquelas paradas áridas – somente os bodes suportavam as agruras terríveis do deserto de Wadi Rum. Nuvens de areia riscavam a córnea dos corajosos que insistiam em abrir os olhos neste furor dos ventos, que urravam do leste ao oeste. Com véus de lã cinza protegendo a vista, ele batera por algumas vezes na porta imensa, que media certamente mais de 6 metros de altura. Após cerca de 3 minutos, ouviu-se um ranger enferrujado de metal centenário se estilhaçando pelo atrito do movimento. Uma figura assustadora aparecera. Parecia o abade do Mosteiro de Ockham, mas era o famigerado Guarda da Torre de Piva se apresentando. Sem dizer palavra alguma, esticou sua clava para a esquerda, autorizando a entrada de Sir Natus ao interior da câmara escura, parcamente iluminada por uma tênue luz verde folha. O mestre de harmonia, um monge jovem chamado Monsieur Roger, era francês e estava entocado logo atrás da porteira direita. Ele entoava uma cantiga esquisita,  ao invés dos portentosos cantos gregorianos típicos das reuniões apócrifas da época. Os acordes lembravam um baião nordestino brasileiro! Mas como este ritmo ficaria famoso somente muitos séculos no futuro, obviamente ninguém tinha a mínima noção do tipo específico de harmonia que estava cadenciando os eventos intra-câmara. Mas na cronológica ignorância reinante  o efeito transcendente da música funcionava muito bem. E neste ritmo o Duque adentrou marchando discretamente salão adentro, passando por cima de um piso quadriculado em tons pretos e brancos.

Logo que os tímpanos do Cruzado se acostumaram ao balanço do baião fraternal, e ele estava até gostando da melodia, fez-se um silêncio sepulcral.  Passados uns 5 segundos, que pareceram 5 séculos, trombetas irromperam pela primeira vez, rasgando o silêncio e estremecendo as doze colunetas que circundavam o espaço sombrio. Em seguida, iluminou-se a figura insólita acomodada no trono localizado no fundo do templo. Vestido com uma túnica branca, com vasta cabeleira no queixo fazendo as vezes de uma barba mantida sem corte por anos, o rei Dario I se levantara – com dificuldades, devido aos mais de 100 anos de vida e aos mais de 100 kg de peso. Seu corpo pagava o pedágio cobrado pela gravidade e pelo desgaste fisiológico devido às energias gastas nas  batalhas e nos combates hediondos de toda uma vida. O trombeteiro, um camarada risonho com a cruz de Santo André estampada no avental branco que vestia, estava animadíssimo com a presença ilustre. E voltava a soprar  a bica da corneta com força! A cada toque da trombeta, o monarca Dario, entre uma tossida e outra, removia um selo de gigantesco livro postado sobre a mesa em frente ao seu trono. Após o sétimo toque, o sétimo selo foi removido e o livro se abriu. Este simbolizava, pensou Lorde Régis, o livro da história de sua vida. Os 7 selos eram as sete travas que guardavam, bem lá no fundo de sua alma, os mais poderosos segredos de sua psiquê. Agora tudo se revelara. Sua vida, seus segredos, seus medos, suas angústias e todos os seus desejos estavam postos entre colunas, perante o rei do oriente. O alucinante Apocalipse havia se transformado em realidade.  (Calipso, como bem sabemos, era a deusa do encoberto, do escondido, do irrevelado e do desconhecido. Ela, na tradição grega de Homero, aprisionara Odisseus por 7 anos em sua ilha, e o libertara por ordem de Zeus para que ele retornasse para sua pátria e para  sua família).  Era um legítima catarse apocalíptica se cristalizando entre as colunas dáricas. Apocalipse representaria a revelação, o fim dos mistérios, o conhecimento final e arrebatador. E era a maior revelação do universo que irrompera sobre a cabeça sem elmo do neófito. O cavaleiro estava psicologicamente nú, ou completamente descoberto. Só restara ele em si mesmo. Totalmente despido de todos os seus afetos. A cada toque da trombeta sua persona se despedaçava, momento a momento. E nesta condição surgiram vassalos do Rei que passaram a vestí-lo com paramentos idênticos aos de Dario, incluindo até a saltitante barba albina. Neste instante o Duque do Vaticano ficara estupefato! O significado desta passagem estava claro: ele mesmo estava se transformando, literalmente, no próprio Rei Dario. O monarca maior do Oriente, agora, era ele. O honorável Cavaleiro de Jerusalém, príncipe dos ideais do Ocidente, acumulava agora a personalidade de Rei do Oriente. Uma amálgama incognoscível aos não-iniciados operara a plena força sob o luar crescente das areias escaldantes. Do Ocidente viera o conjunto de valores e sentidos do mundo consciente que tanto influenciou a construção da individualidade do guerreiro, e que cristaliza a faceta da realidade concreta, natural, da vida, da luz e dos sentidos.  Do Oriente vem a mística do mundo do subconsciente, do intangível , dos mistérios da metafísica e do sublime, de tudo que não captamos pelos parcos sentidos físicos. O famigerado mundo das sombras, dos labirintos e dos medos mais profundos era agora, para Sir Régis, uma parte tangível de seu cabedal de saberes.

O renomado Cruzado não compreendia ainda como tivera acesso a tão vasto conhecimento sobre a realidade da vida e do universo, através desta experiência apocalíptica breve e transpassada no frio de uma única noite no deserto. Resolveu então se recolher a uma caverna, à moda asceta. Ficaria ali jejuando e orando a São Hugo até obter uma resposta razoável. Alguma forma de iluminação teria que brilhar em sua consciência, desde que ele seguisse o ritual dos santos dos santos, pensara ele.

Então, após 9 meses de meditação profunda ao lado de seu fiel bode preto, tomando mais e mais do cálice doce de Macallan – ele saqueara meses antes uma caravana turca herege com vários tonéis do melhor uísque daqueles tempos – o sábio combatente tivera acesso à luz. Compreendera afinal o sentido daquela hecatombe simbólica vivenciada naqueles parcos momentos. Ele protagonizara uma jornada de transcendência pelo mais denso e complexo simbolismo jamais arquitetado pela mente criativa humana. Metaforicamente, seu pesadelo representara a experiência (quase) real da passagem mais relevante de toda vida existente e que acrescenta o maior grau de sabedoria a qualquer ser humano:a experiência da morte (Calipso, sabia ele, era conhecida como a deusa da morte). O neófito aturdido simplesmente morrera naquela madrugada sublime, caminhando pelas trilhas que levam ao oriente mais longínquo, onde o mais poderoso Rei recebe os nobres de espírito em seu templo sublime. Dario lhe ofertara a pedra filosofal, o oco da Arca da Aliança, a Fonte da Juventude. Bradando a palavra perdida, rompendo os selos, abriu-se a caixa dos mistérios que somente os mais bravos fazem jus. Infelizmente esta epopéia, para os céticos, é uma via de mão única. Mas, para quem tem o dom especial de ser capaz de abstrair todos os estímulos externos ou profanos, mergulhando fundo no real sentido do simbolismo ancestral dos ritos iniciáticos primordiais – como era o caso de Lorde Régis – a vivência plena da experiência suprema da existência é possível quase como uma realidade concreta. Pelo menos no delírio da sessão noturna a coisa parecera vívida, lúcida e palpável. Tocar a morte, sentir a presença de Calipso, dobrar o a esquina que divide os mundos, bailar a valsa dos infinitos e poder retornar à pátria e à família, como fez Odisseus, é o cálice mais sublime que uma alma especulativa pode acessar em momentos de êxtase e esplendor. O maior dos sábios é aquele que sorri para o anjo da morte e retorna incólume para o pavimento mosaico do ocidente para prosseguir em sua jornada pela vida.

Após desvendar o enigma de seu sonho delirante, nosso bravo cavaleiro, agora discípulo de São João, resolvera retirar-se da guarda dos peregrinos e rumar, a galope em seu bode negro, para o noroeste da Europa. Seu destino era o feudo de Antuérpia, na atual Bélgica. O velho continente seria agora o palco das lutas mais relevantes que seu sapientíssimo espírito indômito teria agora que realizar. A verdadeira luz teria que resplandecer nos bons homens do velho continente, pensava ele a cada trotada do quadrúpede anão. Os segredos revelados ao nobre escudeiro precisavam ser lapidados mais amiúde e repassados aos senhores do tempo, ou seja, às futuras gerações. Novos especuladores do real, ou da Arte Real, estavam ainda por nascer, e necessitarão deste aporte simbólico. E assim se fez. O Cavaleiro originário do Ocidente e que agregara a sapiência do Oriente tornou-se a pedra fundamental das novas alvoradas iniciáticas calcadas nos mais profundos segredos da alma humana.

Aqui termina a lenda Nº 17 de nossa cartilha “Lendas da Antiguidade”.  Fica claro que a lição e os ideais de Lord Régis sobreviveram incólumes  aos revezes das eras e aos turbilhões do tempo. Vivas !