Da Série; “Paradigmas da Contemporaneidade” , aula 110.

O OLHO QUE TUDO VÊ – Carlos Alberto Carvalho Pires

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imagens: simbolismo da “rede global”, do “grande irmão” e do “olho”.

Como é possível controlar uma comunidade de milhares ou de milhões de pessoas que convivem de maneira relativamente harmoniosa e produtiva, em um mesmo espaço político-geográfico e em um mesmo lapso de tempo? Pensando em sentido “lato”,  como toda a humanidade, hoje talvez composta por 7 bilhões de almas,  mantém-se agregada a processos e rotinas diuturnas que garantem a hegemonia de um sistema impessoal e mecânico de convivência pacífica entre seres tão diversos? Certamente poderosos mecanismos de dominação, de domesticação e de padronização de hábitos e pensamentos tem que operar de modo eficaz para garantir o stablishment de toda sociedade. Aldous Huxley (1894-1963), autor de “Admirável mundo novo”,  afirmava que “a organização e a autorregulamentação são essenciais”. George Orwell (1903-1950), na obra “1984”, dizia que dentre todas as engrenagens de organização despontaria, com destaque, uma forma de “grande irmão”, um equipamento que teria acesso a todas as verdades do cotidiano dos cidadãos. Eles sabiam que algo que controlasse cada gesto, cada palavra e cada suspiro dos membros anônimos de uma máquina social destas proporções teria que ser implantado para garantir a sobrevida da aldeia global – uma macro-tribo que se apoia sobre colunas obscuras cujos mistérios permanecem indecifráveis aos cidadãos comuns . A figura do Panóptico definida por Bentham (1748-1832)  no passado e revigorada por Bauman (1925-) no século XX apresenta-se como uma insólita ferramenta a serviço do poder de controle e de vigilância de uma comunidade heterogênea que deve mostrar-se equilibrada sob um manto que a tudo recobre e que vaporiza suavemente a esperança de um propalado bem-estar que a todos abrangerá. Para certas sociedades iniciáticas o panóptico é representado por um olho nos céus com alcance infinito, que tudo descobre e interpreta. Vamos em breve discorrer mais amiúde sobre esta figura simbólica tão comum em certos círculos, e que deve ser interpretada tanto  à luz de suas implicações mágicas do passado quanto em relação às lentes lógicas de grandes pensadores sociais da Contemporaneidade.